06/10/2022

A UTILIZAÇÃO DA TECNOLOGIA A FAVOR DO PROFISSIONAL JURÍDICO

7/8/2023

Uma pesquisa realizada pela Leaders League Brasil apontou que 57,5% dos advogados entrevistados trabalham mais de 50 horas por semana. Em 21,3% dos casos, a jornada semanal supera as 60 horas, o que daria uma média de mais de 12 horas de trabalho diárias - excluindo os finais de semana.

E mais. Para 70,2% do total de participantes, a carga horária é excessiva – algo que 95,7% consideram uma prática glamourizada na advocacia. No entanto, quando as atividades são analisadas, ainda segundo a pesquisa, várias delas poderiam ser automatizadas.

Diante dessas informações, surge o questionamento: será mesmo necessário todas essas horas trabalhadas? Quais são os impactos? Quais exigências profissionais são necessárias? Ou melhor: o que pode ser feito para auxiliar (e aqui lê-se otimizar) o desempenho dos profissionais? A resposta passa por muitas possibilidades, mas certamente encontramos uma convergência que facilita a resolução desses problemas: a tecnologia.

Isso porque a tecnologia oferece instrumentos e ferramentas que auxiliam o dia a dia de advogados, automatizando atividades burocráticas ou repetitivas, possibilitando agilidade e atividades antes complexas e, assim, com a maior otimização do tempo o trabalho intelectual dos juristas pode e deve ser valorizado mais do que nunca a partir dessas mudanças.

A tecnologia e a modernização do jurídico

Em razão da transformação digital o Direito vem se modernizando, criando novos formatos de trabalho e prestando ao jurisdicionado uma melhor solução aos casos em litígio. 

Desse modo, a tecnologia e o direito mostram que estão cada vez mais próximos, com rotinas diversas que auxiliam nas atividades jurídicas de praticamente todos os operadores do direito, sejam advogados, juízes, promotores ou delegados, facilitando tarefas cotidianas, otimizando não só o trabalho, como também o tempo gasto pelo profissional em cada demanda. 

Os exemplos abaixo demonstram a evolução desse cenário:

  1. Processos Eletrônicos
    O processo eletrônico, regulado pela Lei nº 11.419/06, foi um marco da aplicação de softwares envolvendo direito e tecnologia. Através dele, é possível  acessar, consultar e até peticionar de qualquer lugar do país.
  2. Busca pública de informações
    Convênios realizados pelo Poder Judiciário ajudaram em muito a busca de informações bancárias (Bacenjud), propriedade de veículos (Renajud) e/ou informações na Receita Federal (Infojud) agilizou muito dezenas de processos judiciais.
  3. Utilização de softwares jurídicos
    Softwares jurídicos são soluções tecnológicas desenvolvidas para melhorar a  rotina de trabalho e digitalização das atividades e documentos, com gestão financeira, administrativa, de processos e documentos, automação de rotinas; monitoramento e extração de dados públicos; gestão de escritórios e departamentos jurídicos; analytics e jurimetria; inteligência artificial e compliance.
  4. Difusão de smartphones
    Os Smartphones ampliaram em muito o acesso a tecnologias, agilidade nas respostas com emails e aplicativos de produtividade. O whatsapp, por exemplo, tem sido utilizado para realizações de audiência à distância e também como instrumento de prova.
  5. Acesso aos dados jurídicos
    Os profissionais do Direito precisam buscar dados e informações jurídicas diariamente para a construção e embasamento de suas teses, bem como para se manterem atualizados frente às constantes mudanças legislativas e jurisprudenciais. A tecnologia, através dos softwares de dados e analytics, entra com imprescindível papel não só para coletar, armazenar e tratar esse alto volume de dados jurídicos, mas também para entregá-los com confiabilidade de modo que possa existir um embasamento seguro para quaisquer estratégias e argumentações jurídicas.

Novos tempos para o Direito

Na prática, adotar novas tecnologias só traz vantagens, a curto e longo prazo. Pesquisa da Wolters Kluwer de 2021 revela que clientes dos escritórios de advocacia estão mais exigentes do que nunca e que passaram a solicitar aos escritórios que descrevam quais tecnologias são utilizadas na rotina das bancas para aumentar a produtividade, eficiência e consequentemente melhorar a prestação de serviços.

Segundo a AB2L, o número de empresas de tecnologia jurídica cresceu cerca de 300% desde 2017 e já contava com mais de 170 startups do setor - dados de 2022. No Brasil, o desenvolvimento do mercado jurídico se deve a três fatores: (1) a Transformação digital vivida pela sociedade; (2) O avanço na modernização do setor jurídico, como processos eletrônicos, por exemplo; e (3) a formação de novos advogados a cada ano, que lidam com a tecnologia de forma muito mais natural e sem pré-conceitos.

Apesar disso, o setor jurídico ainda se mantém relutante em absorver ou testar novas tecnologias; escritórios tradicionais e profissionais experientes tendem a recusar e/ou sequer avaliar algumas novidades - e isso não apenas para tendências. 

Nesses casos, a transformação depende de alguns fatores como: (i) a mudança de mindset dos profissionais e ainda em alguns exemplos de negócio, gestores - afinal são eles os principais interessados em otimizar processos; (ii) fomento da educação de base e complementar para difundir de maneira escalável as possibilidades; (iii) apoio dos órgãos de classe e associações na implantação de softwares; (iv) contratações de times multidisciplinares em escritórios e departamentos jurídicos para que haja a especialização transversal dos profissionais.

Considerando essa exigência dos clientes, advogados que ainda resistem à tecnologia, precisam estar abertos para para atender as demandas dos seus clientes.  Soluções baseadas em ganho de eficiência e controles serão cada vez mais exigidas. E não há como fugir.

Conclusão

Os avanços tecnológicos transformaram todos os setores da economia. E o direito vem se adaptando para se aprimorar cada vez mais, através de novas perspectivas de trabalhos, novos campos de pesquisas e novas demandas para os advogados.

Com essa relação cada vez mais estreita, é fundamental existir uma boa sintonia entre a tecnologia e a valorização do profissional para seguirmos com um sistema humanizado, onde o advogado pode executar atividades chave de caráter técnico e humano e a tecnologia pode impulsionar e melhorar as possibilidades e respostas dessa atividade. 

A tecnologia é um meio inteligente para toda a atuação intelectual jurídica. Com as facilidades que as inovações tecnológicas, as adições para o jurídico vão além do aumento da produtividade e a diminuição da carga de trabalho. Ela é benéfica na gestão, análise estratégica de dados, otimização de tarefas, eficiência e fidelização de clientes.

Logo, é hora de repensar a forma de trabalho, as ferramentas utilizadas, a troca de experiências, as atuações e postura do advogado, e abrir portas para a tecnologia que veio para ajudar, e não para tirar o lugar do profissional capacitado. 

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